JOSÉ DOMINGOS

//JOSÉ DOMINGOS

Cantor. Compositor, violonista, poeta e escritor. Nascido em Minas Gerais, na cidade de Guaxupé, em 04 de agosto de 1931.

Pai de sete filhos, viveu na roça e nunca sentou num banco escolar, aprendeu a ler com seu pai, com quem também aprendeu caligrafia e a ler os Lusíadas.

Seu pai sofreu um acidente que o deixou invalido para o serviço rural. Motivo que o levou a mudar-se para Avaré (interior de São Paulo), com sua família. José Domingos estava com 8 anos.

O Menino José Domingos gostava de desenhar. Era Caricaturista, pintava e esculpia.

Seu pai tocava cavaquinho e lhe ensinou a viola, com que animava bailinhos de “ponta de rua”. Depois um conjunto de Seresta, participações na rádio Avaré e depois um conjunto de baile.

Seu primeiro Conjunto em Avaré foi o grupo Star.

Lia tudo o que vinha em suas mãos (dicio0nários, jornais e revistas), para escrever poesia, enquanto trabalhava como pintor de parede, lustrador de móveis e no seu primeiro emprego de verdade, “balconista de armazém”.

Em 20 de Abril de 1956, veio só para a capital paulista. Trabalhou na Real Aerovias, a maior empresa de aviação da América Latina na época, como “comissário de terra”. Apelidado “Príncipe da noite paulistana”, trabalhou na lavanderia, na distribuição de alimentos nos aviões, etc. Ansioso para ver gente, assim que foi possível foi trabalhar na loja central de passagens, defronte ao Cine Marrocos. Ali conheceu o “primeiro músico” de sua vida. Agostinho dos Santos. Nessa época, José Domingos começava a fazer suas primeiras incursões como músico profissional.

Em 1959 a Real foi vendida para a Varig e os empregados foram dispensados por um mês (férias), para decidirem se ficariam ou não, na nova empresa e  foi então que José Domingos, finalmente passou a viver exclusivamente da música, pois em um mês tocando na noite paulistana, ele recebeu o correspondente a seis meses de trabalho na Real Aerovias..

Apresenta-se no Exotic, onde foi levado pelo Lúcio Cardim Filho, autor de Matriz e Filial e seu amigo da vida inteira,

Depois apresentou-se nas Casas Abaixo:

  • Jerevien’s(1960 e 1961);
  • Bar Moleque(1962 /1964);
  • Xilique Bar(1964);
  • Sambalanço(1964/1965);
  • Toto Clube(1965/1966);
  • Estão Voltando as Flores(1967/1968);
  • Eve Drink’s(1968);
  • Arabesqueda rua Jesuíno Pascoal (1969/1973), fundado pelo mesmo em parceria com Expedito Camargo Garcia;
  • Boate Igrejinha(1975);
  • Teleco-Teco(1975-1977);
  • O II Wisky(1977-1982);
  • Old Friend’s(1982);
  • Sambar (1982);
  • O II Wisky(1983);
  • Arabeque IIda rua Santo Antonio, montado pelo mesmo (1985/1995);
  • O III Wiskye Palazzo (1996/1998);
  • Bar Confrariafundado pelo mesmo na Avenida Dr. Arnaldo.

Em 1960 participou como compositor, do Primeiro Festival de MPB, organizado pelo clube dos artistas, com o samba “Grande ciúme”, defendido por Cláudio de Barros, e que obteve o sétimo lugar.

Em 1961, teve sua primeira música gravada, o tango “Chuva na rua”, lançada pelo então iniciante cantor Antônio Borba, pela RGE. No mesmo ano, sua guarânia “Se teus olhos falassem” foi gravada pelo cantor Arquimedes Messina, pela RCA Victor. A composição foi tema de uma rádio-novela de mesmo nome. Também em 1961, o samba “Grande ciúme” foi gravado pelo cantor Mário Martins, em disco da RGE. Pouco depois, estreou na noite paulistana cantando na boate Exotic.

Em seguida, passou a apresentar-se na boate Je Reviens. Nessa última foi visto pela cantora Cláudia Barroso, que o levou para cantar no Bar Moleque, onde conheceu o produtor Alfredo Borba, então diretor da gravadora Philips do Brasil em São Paulo.

Na época, os cantores em pequenos bares não usavam microfone e cantavam à beira das mesas perto dos clientes. Foi assim, que Alfredo Borba lhe entregou um cartão dizendo: “está contratado”. Assinou contrato e gravou o primeiro disco com os sambas “Samba da cegonha”, de sua autoria, e “Esposa verdadeira”, com Clóvis de Lima. Porém, logo após o lançamento do disco, foi acometido por longa doença que o tirou de cena por quatro meses, o que fez sua carreira voltar à estaca zero.

1966 – Samba da Cegonha/Esposa verdadeira

Em 1974, voltou a cantar na noite e pelo selo Cock-Tail, participou, juntamente com outros três interpretes, de um compacto duplo, intitulado Batida de Samba (Philips), no qual interpretou o samba “Barracão vazio”, de Celso Mendes e Jayme Pereira, o  “Galo”.

Em 1979, gravou pelo selo Alvorada/Chantecler o LP “Quando eu me chamar saudade”,

Lado A

  1. Quando eu me chamar saudade – Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito
  2. Samba da Rosa – Jorge Costa e Celso Martins
  3. Pedra Noventa – Dora Lopes e Linda Rodrigues
  4. Sem Coração – Adauto Santos e Gilberto Karan
  5. Mais uma vez Adeus – José Domingos
  6. Praça Clóvis – Paulo Vanzolini

Lado B

  1. Caminhando – Ataulfo Alves;
  2. Quem sabe de mim – José Domingos
  3. Ronda – Paulo Vanzolini
  4. A pedra não voa – Nanai e René Bittencourt
  5. Chave do coração – Jorge Costa
  6. Garrafa vazia – José Domingos

Em 1981, lançou, de forma independente, o LP “Exemplo” (Arte Maior), que contou com arranjos e regências de Amilson Godoy, e contou com as participações dos músicos Amilson Godoy, no piano acústico e elétrico; Cláudio Bertrami, baixo acústico e elétrico; Heraldo do Monte, guitarra, violão, viola, bandolim e cavaquinho; Francisco Di Maria Medori, o ”Chicão”, na bateria; Édson José Alves, violão; Theo da Cuíca e Jorginho Cebion, na percussão; Odésio Jericó, pistom; Isidoro Longano, o ”Bolão”, no sax soprano e Flauta; Hector Costita, sax e flauta, e Benedito Pereira dos Santos, o ”Ditinho”, trombone.

Lado A

  1. Exemplo – Lupicínio Rodrigues
  2. Grande Ciúme – José Domingos
  3. Minha Casa – Joubert de Carvalho
  4. Canção do Amor Sem Fim – José Domingos
  5. Ela Disse-me Assim (Vá Embora) – Lupicínio Rodrigues
  6. Universo de um copo – José Domingos/Osterno

Lado B

  1. Santa Ignorância – José Domingos/Adauto Santos
  2. Brasa – Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins
  3. É Sempre Amor – José Domingos
  4. Lágrimas – Cândido das Neves
  5. Vou Partir – José Domingos
  6. Deusa da Minha Rua – Newton Teixeira e Jorge Faraj
  7. São Paulo Fim do Dia – José Domingos

E sempre cantando na noite paulistana.

Em 1991 Exemplo foi Relançado pela Continental) / Remasterizado para CD

Faixas:

  1. Universo de um copo – José Domingos/Osterno
  2. Exemplo – Lupicínio Rodrigues
  3. Santa Ignorância – José Domingos/Adauto Santos
  4. É Sempre Amor – José Domingos
  5. Brasa – Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins
  6. Vou Partir – José Domingos
  7. Deusa da Minha Rua – Newton Teixeira e Jorge Faraj
  8. Minha Casa – Joubert de Carvalho
  9. Ela me Disse Assim (Vá Embora) – Lupicínio Rodrigues
  10. Lágrimas – Cândido das Neves
  11. Grande Ciúme – José Domingos
  12. Canção do Amor Sem Fim – José Domingos
  13. São Paulo Fim do Dia – José Domingos

Entre outras incursões em programas de televisão, apresentou-se por quatro vezes no “Senhor Brasil”, comandado por Rolando Boldrin, na TV Cultura.

Em 25/01/2004 participou do evento comemorativo dos 450 anos de São Paulo na esquina da Avenida Ipiranga com a Avenida São João e emocionou uma multidão ao declamar seu poema “São Paulo, Fim do Dia“.

São Paulo, Fim do Dia (Compositor: Poeta José Domingos)

São Paulo fim do dia
Portas que se fecham
Luzes que se acendem
Mãos que se despedem
Olhares que prometem
Coisas que acontecem
Porque tem que acontecer

Gente buscando casa
Gente buscando gente
Gente buscando nada
Vejo cinco continentes
Pisando a mesma calçada
O aglomerado constante
Dessa massa que se agita
Faz ainda mais bonita minha cidade gigante

São Paulo dos doutores
São Paulo dos marginais
São Paulo dos feirantes
dos intelectuais
São Paulo das mariposas
São Paulo do operário
do camelô
do vagabundo
do society
da favela
Misturas que fazem dela
A maior terra do Mundo

São Paulo fim do dia
e a rotina continua
Gente empurrando gente
a cada palmo de rua
Aqui uma cotovelada
Mais adiante um empurrão
Uma mulher desesperada gritando:
“Pega ladrão!”
É o farol que não abre
É a sinfonia das buzinas
É o jornaleiro que grita:

No coral da sinfonia
“Olha a manchete do dia
Sequestraram uma menina!”

Mais adiante uma fechada
Alguém entrou na contramão
E sempre que isso acontece
Pode esperar que não passa
A gente assiste de graça
o festival do palavrão
Mas essa é a hora feliz
Do regresso para o lar
Cada um mais apressado
No desejo de chegar à mansão
ao apartamento, à casinha na viela
ao barraco de zinco
pendurado na favela
O pensamento é um só:
“Chegar, chegar”

Os contrastes são berrantes
na multidão de sozinhos
Quem não viu não acredita
Chega até ser bonita
a demanda dos caminhos
Enquanto um vai de subúrbio
Da central, da Cantareira
faz a viajem inteira
mal podendo respirar,
O outro, carro importado
A bela gata do lado
O ar condicionado
Som, champagne, caviar
Gente que vai de Galax,
de Dart, opala, corsel,
de fusca, pé-de-bode,
lambreta bicicleta

Cada um vai do jeito que pode
Gente que vai de táxi,
ônibus, lotação
Gente que vai à pé
batendo sola no chão
Não que se tenha vontade
Coisas da necessidade
De que ficou sem nenhum
Nem mesmo pra condução
Mas nada disso importa
O importante é chegar
Quando se tem na chegada
um motivo pra sorrir
Triste é andar por andar
Ver tanta gente passar
E ter que continuar
Sem saber pra onde ir.

2004 CD Duplo – José Domingos Crônica / Mulher (Ceará 202)

CD Mulher

Faixas

  1. Mulher símbolo do amor – José Domingos e Perboyre L. Sampaio
  2. A Rosa da saia – José Domingos e Joel Couto
  3. Pra gente ser feliz – José Domingos e Sônia R. Bonzolan
  4. Conversa vai – José Domingos
  5. Perto do fim – José Domingos
  6. Pra falar de você – José Domingos
  7. Retrato de saudade – José Domingos
  8. Lagartixa – José Domingos
  9. Se eu te ganhar – José Domingos
  10. Vidas desiguais – José Domingos

CD Crônica

Faixas

  1. Pobrema da habitação – Paulo Vanzolini
  2. Doente da Santa Casa – Max Nunes
  3. Vestido vermelho – Marcos Cezar
  4. São Paulo Fim do Dia – josé Domingos
  5. Libredade – Jorge Moraes – D.R
  6. Enchente de orós – Autor desconhecido
  7. Um matuto no feetball – José Laurentino
  8. A morte do Saltimbanco – Heitor de Lima – D.R.
  9. São Paulo em tempo de saudade – José Domingos orgulhosa – Trasíbulo Ferraz Moreira

Em 2005 foi lançado o álbum “Em Quatro Tempos”

Álbum que reúne músicas de quatro épocas diferentes e de quatro produções distintas, desde o primeiro lançamento em 1964 até 2005.

Faixas:
1. Rotina do Amor
2. Samba da Cegonha
3. É sempre Amor
4. Pedra Noventa
5. Quando eu me chamar saudade
6. Grande Ciúme
7. Conversa vai
8. Retrato da Saudade
9. Derradeiro degrau
10. Pra falar de você
11. Perto do fim
12. Pra gente ser feliz
13. Mais uma vez adeus
14. A Rosa da saia
15. Se eu te ganhar

Fez uma participação especial no DVD “Eu Sambo Mesmo”, de Eduardo Pitta.

Em 2010 gravou o DVD (independente) “Plantando Alegria, colhendo emoções”ao vivo no Teatro Municipal de Osasco, junto com os músicos Adão Monteiro e Marcio Giovani.   Ao vivo no Teatro Municipal De Osasco, José Domingos, Adão Monteiro e Marcio Giovani – Espetáculo ” Plantando Alegria, Colhendo Emoções”

Também em 2010 foi produzido o documentário “Projeto José Domingos“, idealizado e produzido por Elenice Amaral Baratella.

Em 2011 foi lançado o álbum “Santa Ignorância”

1 Santa ignorância
2 Cocorocó
3 Transformação
4 Canção do amor sem fim
5 Eu e o vento
6 Vou partir
7 Samba do amigo
8 Minhas janelas
9 De bem com a vida
10 Noite ilustrada
11 É sempre amor
12 Chave do coração

Em 2013,  esteve no programa “Memória Brasil”, apresentado por Thiago Bechara, no qual contou fatos de sua vida e carreira.

Autor dos livros:

  • Cinco Tempos de um perfil (1989)
  • O Maravilhoso mundo da Emoção
  • Brasil em Branco e Preto

Santa ignorância (José Domingos /Adalto Santos)

Vim de longe, estou cansado
Com o peso dos desenganos
Cada dia mais pesado
Somado ao peso dos anos

Vivo num mundo agitado
Cheio de gente vazia
Vendo um sonho sepultado
Na manhã de cada dia

Ah! Meu tempo de menino
Se eu pudesse, voltaria
Ao riacho cristalino
E às coisas que eu mais queria

Meu rancho de pau a pique
A minha cama de varas
Meu travesseiro de penas
Minha esteira de taquara

O terreiro onde eu jogava
A minha bola de meia
Toadas que o pai cantava
Nas noites de lua cheia

Minha peteca de palha
Minha sopa na gamela
Minha santa ignorância
Saudade que eu tenho dela

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